Artigos da categoria “Chronica Hortícola”

Razões para cultivarmos os nossos próprios alimentos

Publicado em 23 de Setembro de 2015

Raramente compensa economicamente. Quase toda a gente ganha numa hora o suficiente para comprar fruta e vegetais para toda a semana. Pode compensar para algumas famílias de baixo rendimento, mas para a maior parte de nós, não compensa. Portanto, não o fazemos pelo dinheiro.

Horta

Horta com feijão, favas, ervilhas, alface, entre outras coisas.

Frescura

A fruta e os vegetais colhidos na nossa horta são o que há de mais fresco. Não há nada de comparável.

Confiança

Sabemos exactamente como foram criados os alimentos. Apesar de podermos confiar noutros horticultores e em esquemas de certificação biológica, os nossos próprios métodos são para nós os mais certos.

Variedade

Cultivar é também um incentivo para comer mais alimentos frescos. Podemos cultivar o que mais gostamos e até variedades que há muito desapareceram do circuito comercial.

Exercício

Exceptuando os custos e ser sinal de uma vida sedentária, não há nada contra fazer exercício por fazer e ir até ao ginásio ou à piscina. Mas o trabalho ao ar livre, por vezes árduo, é insubstituível.

Comunidade

Além de melhorar a nossa vida individualmente, a jardinagem pode ajudar a construir a nossa comunidade. É pena em Portugal não se verem muitas hortas comunitárias (está a mudar muito, mas pelas razões erradas) e também nas escolas.

Espiritualidade

Cultivar frutas e vegetais é o único contacto que muitos de nós tem com a Terra. E somos participantes no ciclo da vida. O ambiente deixa de ser uma abstração quando trabalhamos o solo e ele se desfaz nas nossas mãos.

Futuro

Temos a satisfação de estar a fazer algo concreto e positivo para o futuro do nosso planeta. Muitas das nossas acções ecológicas tratam de não fazer algo: Não voar, não andar de automóvel, não comer tanta carne… Jardinar é algo que podemos fazer.

Pelas revistas inglesas

Publicado em 21 de Junho de 2015

Um prazer que apenas é traído pelo tempo disponível, é receber revistas pelo correio e lê-las calmamente em busca das últimas novidades do jardim e da horta. As melhores são as inglesas e dessas, a que mais gosto é a Garden’s Illustrated.

Pela revista The Garden da RHS, ficamos a saber que uma empresa japonesa iniciou a comercialização da Rosa ‘Suntori applause’, uma rosa azul geneticamente modificada. Significa 20 anos de pesquisa que de alguma forma falhou em entusiasmar-me.

A Gardens Illustrated de Janeiro de 2010 diz-nos que a Puya raimondii que cresce naturalmente no Perú e na Bolívia, apenas produz sementes uma vez em 80 anos. Encontra-se hoje ameaçada pelo excesso de pastoreio.

Uma boa ferramenta de jardim passa de geração em geração. A Bulldog Tools produz há 230 anos ferramentas de forma artesanal em Lancashire (Grã-Bretanha). A qualidade e valores hoje fora de moda, mantêm esta empresa activa. O popular jardineiro Alan Titchmarsh dá o nome à sua própria linha de ferramentas. Uma interessante reportagem na revista The English Garden de Dezembro de 2010.

Links de interesse

The Great Dixter
Suntory Blue Rose
A Rosa Azul na BBC
Bulldog Tools

Larva de joaninha

Publicado em 20 de Março de 2015

Larva de joaninha

Larva de joaninha numa folha de roseira.

As joaninhas e as suas larvas são dos melhores amigos que podemos ter no jardim. Na verdade, a maior parte dos insectos são benéficos, mas o uso indiscriminado de insecticidas e o desconhecimento, fazem com que sejam destruídos junto com as pestes. Agora na dúvida, nunca elimino insectos que desconheço.
Também não advogo a utilização de químicos nas nossas hortas e jardins, no entanto, a revista The Garden da RHS no seu número de Maio de 2009 (re)lembra alguns dos cuidados a ter. A sua utilização de acordo com as indicações, muitas vezes ignoradas pelos nossos horticultores, é o primeiro passo para minimizar eventuais impactos negativos no ambiente.

  • Antes de comprar, deve-se ter a certeza que o produto é eficaz contra a peste, doença ou daninha que se pretende eliminar. Deve-se evitar comprar mais do que se utiliza num ano.
  • Nunca se deve verter os pesticidas para outros recipientes, pois o rótulo do produto contém informação vital, designadamente os seus compostos activos, números de registo, dosagem, modo de aplicação e os problemas que combate. Esta informação também é útil para os serviços de emergência, em caso de intoxicação.
  • Os pesticidas devem ser guardados num local fresco, fora do alcance de crianças e animais de estimação. Deve-se evitar Sol directo, pois os líquidos evaporam e os rótulos tornam-se ilegíveis.
  • Produtos em pó ou em grão devem ser guardados acima dos líquidos — isto elimina o risco de reacções químicas adversas no caso dos líquidos verterem.
  • Fertilizantes e outros produtos devem ser guardados separadamente dos pesticidas para evitar eventuais confusões.
  • Ao fazer soluções a partir de concentrados (os produtos que requerem diluição antes da utilização), utilize água de um recipiente, em vez de directamente da torneira ou mangueira. Faça menos solução do que pensa ser necessário: é melhor voltar a fazer um pouco posteriormente do que utilizar demais ou sobrar e ter que deitar fora.
  • Depois de vazios, os frascos de concentrados devem ser passados por água três vezes ao fazer a última diluição. Depois podem ser colocados nos contentores habituais de separação de lixo.
  • Embalagens de produtos prontos a usar também podem ser colocadas nos contentores habituais.

A comissão europeia revê regularmente a lista de químicos que se podem utilizar. A Rotenona que até agora podia ser utilizado na horticultura biológica (designadamente contra o escaravelho da batateira), foi retirada em Outubro de 2008 (em definitivo em 10 de Outubro de 2013).

Links de interesse

Meet the Beneficial Insects (Organic Life)
Attracting Beneficial Insects (Fine Gardening)

As plantas pequenas e outras coisas

Publicado em 1 de Janeiro de 2007

Ilustração © 2016 Sama

© 2016 Sama.

Há muito tempo, anos mesmo, que em livros, revistas ou na tv, vejo os cortes serem colocados mesmo na borda dos vasos, ou no canto, caso se tratem de vasos quadrados. E nunca percebi porquê. Uma vez alguém sugeriu que pudesse ser para sustentar o material, por vezes frágil.
Já sei qual é a razão. Monty Don no programa Gardener’s World (episódio 6 de 2016), ao reproduzir dálias por corte, explica que como não há raíz não há captação de humidade e por isso se reduzem as folhas (para tentar equilibrar a perda de humidade por essa via) e se encostam os cortes ao vaso, porque supostamente é aí que demoram mais tempo a secar.

Tenho vindo a reparar que existem várias razões para, ao comprar, preferir plantas pequenas às mais desenvolvidas. A única vantagem de escolher já grande é conseguir um efeito imediato, de cor, textura ou mesmo estrutura no caso de árvores adultas. Como estou a plantar um jardim de razoável tamanho, necessito de centenas de plantas e comprar pequeno faz muita diferença na hora de pagar. Por outro lado, as plantas pequenas tendem a estabelecer-se melhor no local. Ao fim de um ano parece que sempre lá estiveram. Uma planta com um pequeno torrão consegue-se colocar em qualquer lado num jardim já maduro, entre as outras, sem as perturbar.

Comecei a plantar o meu jardim branco. Bétulas das variedades Betula papyrefera e Betula mandschurica, porque já as tinha cultivadas de semente e há uma ligação afectiva. Se assim não fosse e tivesse de escolher apenas uma seria a magnífica Betula utilis var. jacquemontii dos Himalaias Ocidentais.
A árvore principal é a Prunus serrulata ‘Tai Haku’. Duas magnólias, a Magnolia stellata ‘Royal star’ e a Magnolia wilsonii. Mais tarde uma terceira, a Magnolia sieboldii (estas duas últimas fragantes). De árvores é tudo é já é muito, nem todas as Bétulas são até ao fim.
Outras plantas que já tenho são uma Hydrangea paniculata ‘Silver dollar’ (detesto o nome), outra ‘Phantom’, três Liatris spicata, duas Rosa rugosa ‘Alba’ e três Spiraea betulifolia ‘Tor’ e três Telopea ‘Shady lady white’. Por fim Crisântemos e umas Campanula portenschlagiana (albas, evidentemente).

A imagem de capa deste Verão de 2016, é um celestial Acer shirasawanum ‘Aureum’.

Links novos

A lista não é exaustiva porque não a ia fazer. Mas como agora a barra lateral tem centenas de links, se calhar é útil assinalar os mais recentes.
Cerney Gardens
Coastal Maine Botanical Gardens
Dutch Garden Stories
Jardim Suspenso
Les Orchidées de Michel Vacherot
North American Rock Garden Society
Peter Janke
Schoolfield Country House
Vacherot & Lecoufle (Criadores de orquídeas.)
Wirtz International Landscape Architects
Yampa River Botanic Park