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Colheita de alfazema

A colheita da alfazema é um dos aspectos mais agradáveis de a cultivar, quando a fragância preenche o ar, não nos lembramos de mais nada.

Alfazema-dentada, Lavandula dentata
Alfazema-dentada, Lavandula dentata.

Não muito tempo após principiar o ciclo de floração, deve ser colhida cedo pela manhã, logo que esteja seca do orvalho ou da humidade nocturna. Isto permite que os óleos essenciais não percam qualidade quando expostos ao calor do Sol. Uma manhã fria, seca, mas solarenga é o ideal.
As espigas floridas da alfazema devem ser cortadas mal todas as flores estejam abertas e antes de algumas começarem a murchar, pelo ponto onde o caule encontra as primeiras folhas. Atam-se em grupos e colocam-se dentro de sacos de papel de forma que as flores não toquem no papel. Depois, penduram-se num local seco, arejado, longe da luz solar directa. As hastes também podem ser espalhadas num tecido, num quarto sombrio, bem ventilado.
Depois de secas as flores devem ser fechadas em recipientes herméticos até serem utilizadas.
Também se pode secar a alfazema simplesmente pendurando os grupos de cabeça para baixo. Não irá conservar a fragância por muito tempo, mas mantém a cor e forma, podendo ser utilizada em arranjos secos.

Bibliografia

Barrett, Patti. Growing & Using Lavender. North Adams, MA: Storey, 1996.

Multiplicar alfazema por corte

A alfazema pode ser facilmente reproduzida com cortes no Verão. Devem-se escolher rebentos laterais que não floriram e deve-se verificar que estão sem pestes nem doenças.
Corta-se com um pequeno pé e removem-se os últimos pares de folhas de modo a podermos enterrar o rebento no composto com facilidade.
Mergulha-se o pé numa solução de hormonas de enraizamento — pode-se utilizar uma solução de ramos de salgueiro. Em alternativa nada, mas a percentagem de sucesso poderá ser muito menor.
Inserem-se os cortes em composto arenoso, na borda de vasos, em tabuleiros de alvéolos, pequenos vasos ou onde acharem conveniente. Rega-se o composto de forma suave e cobre-se com um plástico para manter um ambiente húmido. Há tabuleiros que incluem umas tampas de plástico transparente e que são bastante práticos.
Colocam-se os cortes num local quente e com sombra. Depois do enraizamento começar (habitualmente após quatro a seis semanas), deve-se cortar um canto do plástico para ventilação, removendo-o completamente passadas umas semanas. Devem-se deixar os cortes no local até estarem muito bem enraizados, sendo depois envazados individualmente.

Uma longa época de gladíolos floridos

Gladíolo

O gladíolo é essencialmente uma flor de corte para decoração em casa, embora existam várias variedades que possam ser utilizadas com bom efeito no jardim. Num arranjo redondo de rosas, peónias ou dálias, os gladíolos darão beleza com os seus longos caules e flores elegantes.
Torna-se importante conseguir ter gladíolos para cortar durante um longo período, todo o Verão e até parte do Outono. Há pelo menos três formas de o conseguir.
O primeiro método de plantações sucessivas é muito utilizado também na horta. Pode-se utilizar a mesma variedade ou várias, começando no início da Primavera e continuando semanalmente ou de dez em dez dias, até ao início do Verão.
Um outro método, também utilizado na horta, é utilizar variedades de floração em épocas diferentes. Variedades que florescem cedo, cedo na meia-estação, tarde na meia-estação, tarde e muito tarde. Existem cerca de 12.000 variedades de gladíolos, mas muito menos disponíveis para o jardim. Este método oferece dificuldades de aplicação no nosso país, porque não só existe pouca informação sobre a época de floração, como a quantidade de variedades disponível é diminuta. Mesmo assim, podem-se conseguir bons resultados com alguma sorte, tentando encontrar umas 25 variedades no mínimo. Com algumas notas, pode-se melhorar muito os resultados da época seguinte.
Por fim, um método pouco conhecido pelo horticultor amador, mas que sempre foi utilizado pelos viveiristas profissionais de gladíolos. Consiste simplesmente em plantar bolbos de vários tamanhos de uma determinada variedade.
Os profissionais reconhecem três tamanhos de bolbos: Nº. 1 bolbos com 4cm ou mais de diâmetro; Nº. 2 bolbos com 3cm ou mais; Nº. 3 bolbos com 2,5cm ou mais; Nº. 4 bolbos com 2cm ou mais; Nº. 5 bolbos com 1,5cm ou mais; Nº. 6 bolbos de 0,6cm ou mais. Por vezes bolbos menores que os Nº. 6, são chamados Nº. 7 e os que não serão maiores que uma ervilha, bolbilhos.
Estes bolbos de diferentes calibres são plantados todos ao mesmo tempo, os maiores serão os primeiros a florir, o segundo tamanho talvez uma semana ou dez dias depois e assim sucessivamente até ao tamanho menor. Mesmo os Nº. 7 e até alguns bolbilhos podem chegar a florir. Se não florirem, ficarão com tamanho adequado para a época seguinte. As flores dos bolbos menores serão também menores que o normal e por vezes muito delicadas, ainda mais bonitas para pequenos arranjos.

Bibliografia

William, E. Clark. “A long season of gladiolus blooms.” Horticulture May 1. 1929: 221.

Rega das árvores

Há pessoas que não sabem, diz o senhor N. Audran, no “Lyon Horticole”, que a água que é necessária para a alimentação das plantas é principalmente tirada do solo pelas radículas, isto é, pelas raízes mais novas. Se estas pessoas conhecessem esta simples particularidade da vida vegetal, com certeza quando regassem uma árvore não lançariam a água directamente no pé, salvo no caso que este tivesse as raízes aprumadas.
Geralmente, quando se rega, faz-se uma pequena caldeira perto do pé da árvore e ali se lança a água, exactamente no sítio onde ela é menos útil. Má prática.
Para se regar uma árvore, deve-se fazer a caldeira a distância do tronco e regar aí. Quanto mais grossa for a árvore, tanto mais afastada deve estar a caldeira do seu centro.

Jornal Horticolo-Agricola, Junho de 1906